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terça-feira, 28 de agosto de 2012

Por dentro da Apple, em primeira mão


Sede da Apple em Cupertino, na Califórnia.
São Paulo - "Em 24 de agosto de 2011, no dia em que renunciou como presidente da Apple, Steve Jobs participou de uma reunião com o conselho de diretores da empresa. Ele estava muito doente e chegara o momento de deixar o cargo.
Faltavam poucas semanas para a apresentação do ma is recente iPhone, que pela primeira vez incluiria o programa Siri, um assistente pessoal que entende comandos de voz. Assim como o computador HAL do filme 2001: Uma Odisseia no Espaço, Siri respondia a perguntas e conversava com o dono.
Scott Forstall, um alto executivo da Apple para smart­phones, estava demonstrando o programa para a diretoria quando Jobs o interrompeu. ‘Deixe-me ver o telefone’, disse Jobs, indicando que queria testar o Siri por conta própria. Forstall, que havia trabalhado para Jobs durante toda a carreira, hesitou.
A apreen­são se justificava: todo o encanto do Siri é que ele aprendia com a voz de seu dono, adaptando-se com o tempo a idiossincrasias e entendendo detalhes pessoais.
‘Tome cuidado com isso’, ele disse. ‘Ele está muito bem sintonizado com a minha voz.’ Jobs­ tipicamente não aceitava ‘não’ como resposta. ‘Dê o telefone’, ele esbravejou, indicando que Forstall lhe entregasse o aparelho.
O debilitado Jobs fez, então, uma pergunta existencial: ‘Você é homem ou mulher?’ O telefone respondeu: ‘Eu não tenho um gênero definido, senhor’. Vieram as gargalhadas e um pouco de alívio de Forstall.
A cena ilustra muitos dos princípios pelos quais a Apple é notável — mas também diferente da maioria das empresas tidas como modelo de boa gestão. A versão 4S do produto havia sido desenvolvida em extremo sigilo. A mecânica e o design do celular refletiam um obsessivo foco no detalhe.
Uma empresa gigantesca havia concentrado sua melhor mão de obra em um único produto. Também estava em exibição, pela última vez, um presidente que exibia traços de personalidade que normalmente a sociedade considera negativos — narcisismo, extravagância e desrespeito pelos outros.
Mas será que eram negativos mesmo? Será que o sucesso da Apple é único ou a empresa faz algo que o resto do mundo dos negócios deveria imitar?
No último ato oficial de Steve Jobs, a equipe do iPhone já estava no máximo de seus limites. O projeto do modelo 4S do telefone estava colocando pressão sobre o resto da empresa. A nova versão do sistema operacional dos computadores Mac, o Mac OS, estava atrasada porque os engenheiros que escreviam o código haviam sido deslocados para trabalhar no iPhone.

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